Você vende para clientes americanos? Então a ADA também pode atingir você
11 de junho de 2026
Resposta rápida. A Americans with Disabilities Act (ADA) é, assim como a EAA europeia, orientada ao mercado na prática: os advogados que processam sites olham para quem vende a consumidores americanos, não para onde a empresa está estabelecida. Se você vende de fora dos EUA para clientes nos EUA (um checkout americano, preços em dólares, envio para endereços americanos), pode receber as mesmas notificações extrajudiciais e processos que uma empresa americana. A nuance honesta: sem filial ou ativos nos EUA, uma sentença contra você é mais difícil de executar, mas o modelo de acordos sobre o qual essa indústria gira também funciona além da fronteira. A boa notícia: a régua é a mesma WCAG que você já precisa cumprir para a EAA. Uma única abordagem estrutural cobre os dois continentes.
Qual é o tamanho real do risco americano?
Grande, e documentado. Em 2025, foram movidos 8.667 processos sob o Título III da ADA (ADA Title III blog, Seyfarth Shaw), dos quais 3.117 especificamente sobre sites, um aumento de 27% em relação a 2024. E os processos são só a ponta do iceberg: a grande maioria dos casos começa e termina com uma notificação extrajudicial (demand letter) e um acordo que nunca chega a um tribunal, segundo estimativas da American Bar Association, são dezenas de milhares dessas cartas por ano (ABA). Os números completos estão no nosso hub em inglês ADA website lawsuits: the numbers.
A ADA vale para uma empresa fora dos EUA?
A ADA não tem uma disposição explícita de fronteira para sites, e os tribunais americanos estão divididos sobre o alcance exato. Mas a prática é mais simples do que a doutrina: os autores e seus advogados miram lojas virtuais que comprovadamente atendem o mercado americano. Sinais relevantes são uma loja em inglês com preços em dólares, entrega para endereços americanos, um telefone ou endereço de devolução americano, e marketing voltado a clientes americanos. A Califórnia acrescenta a isso a Unruh Civil Rights Act: US$ 4.000 de indenização legal por violação, mais honorários advocatícios, o mecanismo que torna a Califórnia o epicentro desses casos. O que vale por lei está na nossa página a lei nos Estados Unidos.
Eles conseguem executar isso na Europa?
Aqui cabe uma resposta honesta: executar uma sentença americana contra uma empresa sem filial, subsidiária ou ativos nos EUA é juridicamente trabalhoso, e muitas empresas da UE nunca chegarão a viver essa etapa. Mas, em contrapartida, o modelo americano não gira em torno de sentenças, e sim de acordos: uma notificação extrajudicial com uma proposta de acordo mais barata do que a defesa. Quem tem faturamento americano, usa provedores de pagamento americanos ou um dia quer uma filial ou presença em marketplaces americanos, tem sim algo a perder. E existe uma segunda via que costuma ser esquecida: os parceiros comerciais americanos. Cada vez mais empresas americanas exigem contratualmente conformidade com a WCAG de seus fornecedores, e aí a pergunta deixa de ser "um juiz pode me obrigar?" e passa a ser "eu posso assinar este contrato?".
O que devo fazer agora?
O insight mais importante: a prática da ADA e a EAA usam a mesma régua técnica, a WCAG. Não existe uma "norma americana" à parte para sites privados (nem uma "certificação ADA" oficial; desconfie de quem vende isso). Um site que trabalha de forma estrutural conforme a WCAG 2.1 e 2.2 AA e consegue comprovar isso está bem posicionado dos dois lados do oceano. Em concreto:
- Escaneie seu site gratuitamente e veja onde você está, a mesma varredura cobre os erros relevantes tanto para a EAA quanto para a ADA.
- Corrija no seu próprio código; um widget de overlay comprovadamente não protege você nos EUA (em 2024, mais de mil sites com widget foram processados mesmo assim, veja processado mesmo com um widget de acessibilidade).
- Monte um registro. Você já recebeu uma notificação extrajudicial? Então leia primeiro nosso guia em inglês you got an ADA demand letter, e contrate um advogado americano; este artigo é informação, não aconselhamento jurídico.